terça-feira, 12 de janeiro de 2016

_ "Eu não sei vender."


Essa foi a minha resposta dezenas de vezes quando me perguntavam por que eu não criava coisas pra vender, abria uma loja, uma banquinha, um pano esticado na calçada da avenida paulista ou numa rua de pedra em Paraty. 
E era verdade. Eu não sabia mesmo. Vender me deixava desconfortável. Me parecia leviano com os meus trabalhos. Nenhum preço pareceria justo, e se não era pra quem comprava, ainda mais pra quem vendia. É muito difícil precificar seu tempo, sua atividade intelectual, seu processo criativo. É mesmo muito difícil precificar ideias. E ideais. 
Após vários ciclos de crises internas e perguntas sem resposta, guardei isso no fundo do armário da minha vida pensando: um dia toda essa arte dentro de mim vai mostrar a que veio. Comecei entaõ a perceber que, se o objetivo me envolvia, eu sabia vender sim. Eu fervilhava de ideias de produtos, e planos de negócios, e vendas casadas, e estratégias de divulgação. Percebi que vender pra mim precisava de um significado além do dinheiro. Precisava tocar minhas convicções. Precisava ser relevante pra mim. E, principalmente relevante pras pessoas. Promover valores além de compra e venda, decoração, design ou tendências. Precisava promover os valores eternos.
Por isso é quase impossível definir como surgiu tudo isso. Foram migalhas pelo caminho que construíram o sonho, um longo caminho que culminou em cada uma das imagens, destes traços, destes recortes. Eu queria criar coisas como se fossem pra mim mesma, que melhorassem os espaços e ambientes, pois o espaço diz muito de nos mesmos. Que contribuíssem para o relacionamento entre as pessoas, uma das coisas mais importantes da vida. Que trouxessem inspiração e animo neste mundo caótico. Que colocassem a verdade em destaque (Mt5:14), pra que possa ler até quem passa correndo. (Hc2:2) Esse amadurecimento marca o novo momento no meu caminho criativo. Um novo momento feliz.

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